OS GRANDES ARREPIOS
Arnaldo Jabor, O Estado de S.Paulo 17/08/2010
Hoje começa o circo da propaganda eleitoral, o desfile de horrores da política brasileira. Os dois carros-chefes do desfile, Dilma e Serra, correrão na frente de um trem fantasma de caras e bocas e bochechas que traçam um quadro sinistro do Brasil, fragmentado em mil pedaços - o despreparo, a comédia das frases, dos gestos, das juras de amor ao povo, da ostentação de dignidades mancas.
Os candidatos equilibram bolas no nariz como focas amestradas, dão "puns" de talco, dão cambalhotas no ar como babuínos de bunda vermelha, voando em trapézios para a macacada se impressionar e votar neles. Os candidatos têm de comer pastéis de vento, de carne, de palmito, buchada de bode e dizer que gostaram, têm de beber cerveja com bicheiros e vagabundos, têm de abraçar gordos fedorentos e aguentar velhinhas sem dente, beijar criancinhas mijadas, têm de ostentar atenção forçada aos papos com idiotas, têm de gargalhar e dar passinhos de "rebolation" quando gostariam de chorar no meio-fio - palhaços de um teatrinho absurdo num país virtual, num grande pagode onde a verdade é mentira e vice-versa.
Ninguém quer o candidato real; querem o que ele não é. A política virou um parafuso espanado que não rola mais na porca da vida social, mas todos fingem que só pensam no povo e não em futuras maracutaias.
Arrepios voltaram. Ninguém sabe o que vai acontecer. Só nos resta o mau ou bom agouro, o palpite, a orelha coçando, o cara ou coroa. Meu primeiro arrepio foi em 54. Estou do lado do rádio e ouço o Repórter Esso: "O presidente Vargas acaba de se suicidar com um tiro no peito!" O mundo quebrou com o peito de Getúlio sangrando, as empregadas correndo e chorando.
Estou no estribo de um bonde, em 61. "O Jânio Quadros renunciou!", grita um sujeito. Gelou-me a alma. Afinal, eu votara pela primeira vez naquele caspento louco (o avô "midiático" do Lula), mais carismático que o careca do general Lott. Eu já sentira arrepios quando ele proibiu biquínis nas praias. Tínhamos elegido um louco - não seria o único...
Em 64, dias antes do golpe militar - o comício da Central do Brasil. Serra também estava, falando, de presidente da UNE. Clima de vitória do "socialismo" que Jango nos daria (até para fazer "revolução" precisamos do governo...). Tochas dos bravos operários da Petrobrás, hinos, Jango discursando, êxtase político: seríamos a pátria do socialismo carnavalesco. Volto para casa, eufórico, mas, já no ônibus, passando no Flamengo, vejo uma vela acesa em cada janela da classe média, em sinal de luto pelo comício de "esquerda". Na noite "socialista", cada janela era uma estrelinha de direita. "Não vai dar certo essa porra..." - pensei, arrepiado. Não deu.
Ainda em 64, festa do "socialismo" no teatro da UNE. 31 de março, 11 da noite. Elza Soares, Nora Ney, Grande Otelo comemoram o show da vitória. No dia seguinte, a UNE pegava fogo, apedrejada por meus coleguinhas fascistas da PUC. Na capa da revista O Cruzeiro, um baixinho feio, vestido de verde-oliva me olha. Quem é? É o novo presidente, Castelo Branco. Corre-me o arrepio na alma: minha vida adulta foi determinada por aquele dia. O sonho virou um pesadelo de 20 anos.
Depois, vem o Costa e Silva, outro arrepio, sua cara de burro triste e, pior, sua mulher perua brega no poder. Aí, começaram as passeatas, assembleias contra a ditadura. Costa e Silva tinha alguns traços populistas e resolveu dialogar com os líderes do movimento democrático. Uma comissão vai conversar com o presidente. Aí, outro absurdo - os membros da comissão se recusam a vestir paletó e gravata na entrada do palácio: "Não usamos gravatas burguesas!" e o encontro fracassa. Ninguém lembra disso; só eu, que sou maluco e olho os detalhes.
Tancredo entrou no hospital e arrepiou-me o sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília no Fantástico, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo; tremeu-me o corpo quando vi que nossa história fora mudada por um micróbio em seu intestino.
Arrepiou-me ver o Sarney, homem da ditadura, posando de "oligarca esclarecido" na transição democrática, com seu jaquetão de "teflon", até hoje intocado. Assustei-me com a moratória de 87, aterrorizou-me a inflação de 80% ao mês. E, depois, vejo a foto do Collor na capa da Veja - com todo mundo dizendo: "Ele é jovem, bonito, macho...", revirando os olhos numa veadagem ideológica. Foi um período tragicômico, com a nação olhando pela fechadura da "Casa da Dinda" para saber do seu destino. Depois o período do "impeachment", dos caras-pintadas, num breve refresco dos arrepios. Durante Itamar, a letargia jeca-tatu, só quebrada pela mudança na economia com o Plano Real que FHC fez (que depois foi roubado pelo Lula, claro...). Aí, 1994, o ano da esperança, Brasil tetra na Copa e um grande intelectual de esquerda subindo ao poder. Mas meu arrepio histórico logo voltou, quando vi que a Academia em peso odiava FHC por inveja e rancor, criando chavões como "neoliberalismo", "alianças espúrias" (infantis, comparadas com a era Lula). Os radicais de cervejaria ou de estrebaria não deram um escasso crédito de confiança a FHC que veio com uma nova agenda, para reformar o Estado patrimonialista.
Durante o mandato, o próprio governo FHC cometeu seu erro máximo que até hoje repercute - não explicou didaticamente para a população a revolução estrutural que realizava: estabilização da economia, lei de responsabilidade fiscal, privatizações essenciais, consolidação da dívida interna, saneamento bancário que nos salvou da crise de hoje, telefonia, tudo aquilo que, depois, Lula desapropriou como obra sua. É arrepiante ver a mentira com 80% de ibope.
Arrepiou-me a morte de Sergio Motta, Mário Covas e Luís Eduardo Magalhães, levando para o túmulo a autoestima do PSDB, o partido que se esvai e apanha calado.
Hoje, estamos diante do mistério: Dilma ou Serra? Teremos a sabotagem radical de tropas pelegas impedindo Serra de governar ou o "revival" do arremedo de socialismo que já era ridículo em 63? Arrepio-me.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
BRASIL, QUE PAÍS É ESTE?
Escrito em 1896...e parece que tudo continua igual...
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de
vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a
energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as
moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque
sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um
lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter,
havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a
infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem
que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.]
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado
de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela
abdicação unânime do País. [.]
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de
fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes,
[.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos
nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades
do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão
que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma
sala de jantar."
Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de
vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a
energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as
moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque
sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um
lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter,
havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a
infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem
que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.]
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado
de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela
abdicação unânime do País. [.]
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de
fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes,
[.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos
nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades
do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão
que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma
sala de jantar."
Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896
sábado, 21 de agosto de 2010
VAMPIROS DE ENERGIA:
São pessoas que nos derrubam literalmente. O vampiro pode estar ao seu lado!São pessoas de nosso relacionamento diário.
Pode ser nosso irmão(a), marido/esposa, empregado, familiar, amigo de trabalho. vizinhos, gerente do banco, ou seja, qualquer pessoa de nosso convívio, que está roubando nossas energias, para se abastecer. Eles roubam nossa energia vital. Mas, por que estas pessoas sugam nossa energia, afinal?
Bem, em primeiro lugar a maioria dos Vampiros de Energia atuam inconscientemente, sugando a energia de suas vítimas, sem saber o que estão fazendo.
O vampirismo ocorre porque as pessoas não conseguem absorver as energias das fontes naturais (cósmicas, telúricas, etc), tão abundantes, e ficam desequilibradas energeticamente.
Quando as pessoas bloqueiam o recebimento destas energias naturais (ou vitais), elas precisam encontrar outras fontes de energia mais próxima, que nada mais são do que as outras pessoas, ou seja, você.
Na verdade, quase todos nós, num momento ou outro de nossas vidas, quando nos encontramos em um estado de desequilíbrio, acabamos nos tornando Vampiros de Energia alheia.
Tipos de vampiros:
a) Vampiro Cobrador: Cobra sempre, de tudo e todos. Quando nos encontramos com ele, já vem cobrando o por que não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, estará abrindo as portas.
O melhor a fazer é usar de sua própria arma, ou seja, cobrar de volta e perguntar por que ele não liga ou aparece. Deixe-o confuso, não o deixe retrucar e se retire rapidamente.
b) Vampiro Crítico: é aquele que critica a tudo e a todos, e o pior que é só critica negativa e destrutiva. Vê a vida somente pelo lado sombrio. A maledicência tende a criar na vítima um estado de alma escuro e pesado e abrirá seu sistema para que a energia seja sugada.
Diga "não" às suas críticas. Nunca concorde com ele. A vida não é tão negra assim. Não entre nesta vibração. O melhor é cair fora e cortar até todo o tipo de contato.
c) Vampiro Adulador: é o famoso "puxa-saco". Adula o ego da vítima, cobrindo-a de lisonjas e elogios falsos, tentando seduzir pela adulação. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele simplesmente espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura para sugar a energia.
d) Vampiro Reclamador: é aquele tipo que reclama de tudo, de todos, da vida do governo, do tempo, etc. Opõe-se a tudo, exige, reivindica, protesta sem parar. E o mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos e válidos para justificar seus protestos. Melhor tática é deixá-lo falando sozinho.
e) Vampiro Inquiridor: sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo, e não dá tempo para que a vítima responda, pois já dispara mais uma rajada de perguntas. Na verdade, ele não quer respostas e, sim, apenas desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando seu fluxo normal de pensamentos.
Para sair de suas garras, não ocupe sua mente à procura de respostas. Para cortar seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta bem pessoal e contundente, e procure se afastar assim que possível.
f) Vampiro Lamentoso: são os lamentadores profissionais, que anos a fio choram sua desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelo lado emocional e afetivo. Chora, lamenta-se e faz de tudo para despertar pena. È sempre o coitado, a vítima.
Só há um jeito de tratar com este tipo de vampiro, é cortando suas asas. Corte suas lamentações dizendo que não gosta de queixas, ainda mais que não elas não resolvem situação alguma.
g) Vampiro Pegajoso: investe contra as portas da sensualidade e sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse lambê-la com os olhos, com as mãos, com a língua. Parece um polvo querendo envolver a pessoa com seus tentáculos. Se você não escapar rápido, ele irá sugar sua energia em qualquer uma das possibilidades:
Seja conseguindo seduzi-lo com seu jogo pegajoso, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos você estará desestabilizado, e, portanto, vulnerável. Saia o mais rápido possível. Invente uma desculpa e fuja rapidamente.
h) Vampiro Grilo-Falante: a porta de entrada que ele quer arrombar é o seu ouvido. Fala, absoluto, durante horas, enquanto mantém a atenção da vítima ocupada, suga sua energia vital. Para livrar-se, invente uma desculpa, levante-se e vá embora.
i) Vampiro Hipocondríaco: cada dia aparece com uma doença nova. Adora colecionar bula de remédios. Desse jeito chama a atenção dos outros, despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os pormenores de seus males e conta seus infindáveis sofrimentos, rouba a energia do ouvinte, que depois sente-se péssimo.
j) Vampiro Encrenqueiro: para ele, o mundo é um campo de batalha onde as coisas só são resolvidas na base do tapa. Quer que a vítima compre a sua briga, provocando nela um estado raivoso, irado e agressivo. Esse é um dos métodos mais eficientes para desestabilizar a vítima e roubar-lhe a energia.
Não dê campo para agressividade, procure manter a calma e corte laços com este vampiro.
Agora que você já conhece como agem os Vampiros de Energia, vá a caça deles, ou melhor, saia fora deles o mais rápido possível .
Mas, não esqueça de verificar se você, sem querer, é obvio, não é um destes tipos de Vampiro...
Pode ser nosso irmão(a), marido/esposa, empregado, familiar, amigo de trabalho. vizinhos, gerente do banco, ou seja, qualquer pessoa de nosso convívio, que está roubando nossas energias, para se abastecer. Eles roubam nossa energia vital. Mas, por que estas pessoas sugam nossa energia, afinal?
Bem, em primeiro lugar a maioria dos Vampiros de Energia atuam inconscientemente, sugando a energia de suas vítimas, sem saber o que estão fazendo.
O vampirismo ocorre porque as pessoas não conseguem absorver as energias das fontes naturais (cósmicas, telúricas, etc), tão abundantes, e ficam desequilibradas energeticamente.
Quando as pessoas bloqueiam o recebimento destas energias naturais (ou vitais), elas precisam encontrar outras fontes de energia mais próxima, que nada mais são do que as outras pessoas, ou seja, você.
Na verdade, quase todos nós, num momento ou outro de nossas vidas, quando nos encontramos em um estado de desequilíbrio, acabamos nos tornando Vampiros de Energia alheia.
Tipos de vampiros:
a) Vampiro Cobrador: Cobra sempre, de tudo e todos. Quando nos encontramos com ele, já vem cobrando o por que não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, estará abrindo as portas.
O melhor a fazer é usar de sua própria arma, ou seja, cobrar de volta e perguntar por que ele não liga ou aparece. Deixe-o confuso, não o deixe retrucar e se retire rapidamente.
b) Vampiro Crítico: é aquele que critica a tudo e a todos, e o pior que é só critica negativa e destrutiva. Vê a vida somente pelo lado sombrio. A maledicência tende a criar na vítima um estado de alma escuro e pesado e abrirá seu sistema para que a energia seja sugada.
Diga "não" às suas críticas. Nunca concorde com ele. A vida não é tão negra assim. Não entre nesta vibração. O melhor é cair fora e cortar até todo o tipo de contato.
c) Vampiro Adulador: é o famoso "puxa-saco". Adula o ego da vítima, cobrindo-a de lisonjas e elogios falsos, tentando seduzir pela adulação. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele simplesmente espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura para sugar a energia.
d) Vampiro Reclamador: é aquele tipo que reclama de tudo, de todos, da vida do governo, do tempo, etc. Opõe-se a tudo, exige, reivindica, protesta sem parar. E o mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos e válidos para justificar seus protestos. Melhor tática é deixá-lo falando sozinho.
e) Vampiro Inquiridor: sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo, e não dá tempo para que a vítima responda, pois já dispara mais uma rajada de perguntas. Na verdade, ele não quer respostas e, sim, apenas desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando seu fluxo normal de pensamentos.
Para sair de suas garras, não ocupe sua mente à procura de respostas. Para cortar seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta bem pessoal e contundente, e procure se afastar assim que possível.
f) Vampiro Lamentoso: são os lamentadores profissionais, que anos a fio choram sua desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelo lado emocional e afetivo. Chora, lamenta-se e faz de tudo para despertar pena. È sempre o coitado, a vítima.
Só há um jeito de tratar com este tipo de vampiro, é cortando suas asas. Corte suas lamentações dizendo que não gosta de queixas, ainda mais que não elas não resolvem situação alguma.
g) Vampiro Pegajoso: investe contra as portas da sensualidade e sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse lambê-la com os olhos, com as mãos, com a língua. Parece um polvo querendo envolver a pessoa com seus tentáculos. Se você não escapar rápido, ele irá sugar sua energia em qualquer uma das possibilidades:
Seja conseguindo seduzi-lo com seu jogo pegajoso, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos você estará desestabilizado, e, portanto, vulnerável. Saia o mais rápido possível. Invente uma desculpa e fuja rapidamente.
h) Vampiro Grilo-Falante: a porta de entrada que ele quer arrombar é o seu ouvido. Fala, absoluto, durante horas, enquanto mantém a atenção da vítima ocupada, suga sua energia vital. Para livrar-se, invente uma desculpa, levante-se e vá embora.
i) Vampiro Hipocondríaco: cada dia aparece com uma doença nova. Adora colecionar bula de remédios. Desse jeito chama a atenção dos outros, despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os pormenores de seus males e conta seus infindáveis sofrimentos, rouba a energia do ouvinte, que depois sente-se péssimo.
j) Vampiro Encrenqueiro: para ele, o mundo é um campo de batalha onde as coisas só são resolvidas na base do tapa. Quer que a vítima compre a sua briga, provocando nela um estado raivoso, irado e agressivo. Esse é um dos métodos mais eficientes para desestabilizar a vítima e roubar-lhe a energia.
Não dê campo para agressividade, procure manter a calma e corte laços com este vampiro.
Agora que você já conhece como agem os Vampiros de Energia, vá a caça deles, ou melhor, saia fora deles o mais rápido possível .
Mas, não esqueça de verificar se você, sem querer, é obvio, não é um destes tipos de Vampiro...
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Devaneios etcétera e tal...: Aconteceu comigo ontem.O que podemos fazer?
Devaneios etcétera e tal...: Aconteceu comigo ontem.O que podemos fazer?: "Nosso país está em processo de decomposição e ninguém reclama do odor fétido que inala. Mas enquanto isto não ocorre muitos jovens continua..."
Aconteceu comigo ontem.O que podemos fazer?
Nosso país está em processo de decomposição e ninguém reclama do odor fétido que inala.
Mas enquanto isto não ocorre muitos jovens continuarão a ser estuprados, outros assassinados, e os pais que os perdem se mantendo em pé com a ajuda de aparelhos fictícios que lhe forneçam ar para poder continuar respirando.
Hoje morrer é ridículo de tão fácil, quem não foi seqüestrado, assaltado, violentado está fora de moda.
Você não acabou ainda de ler o livro de Proust ou Paulo Coelho (quis aqui colocar os dois lados extremos da literatura), de abrir a última Marie Claire para ver as tendências, ou virar as páginas da Zero Hora para saber quem foi o sorteado num concurso ou para a morte, faça logo, pois amanhã poderá ser tarde demais, pois basta virar a esquina errada, entrar na rua à direita e não a da esquerda, abrir o portão de sua casa com mais tranqüilidade, atender a um telefonema que nem era endereçado a você e...
E é sobre este último que quero tratar, porque os outros já foram tão falados e debatidos e até agora ninguém achou a solução, ou nem se interessou por achá-la. Até que algo aconteça com um familiar seu.
Já não sou tão moça , mas quero enfatizar que criei meus filhos sob a égide deste pânico de sobrevivência, levando e buscando no colégio para não roubarem a camiseta, os tênis, os óculos evitando assim que fossem mortos por estas banalidades; já busquei das baladas para que um amigo não os trouxesse após ter ingerido álcool em demasia e sofrerem um acidente desnecessário, já cansei de conversar,quando adolescentes, sobre más companhias , sexo seguro, bebidas, drogas..
E hoje com eles adultos me enfio em casa antes que escureça, pois nos passam a idéia, lêdo engano, que os assassinos começam a agir quando as luzes da cidade acendem e precisamos ir para a toca, nos enfurnar por trás das grades , das cercas elétricas, enfim, nos resguardar do perigo.
Bem, são 19.30 horas,de uma quinta- feira qualquer, já me encontro dentro de meu apartamento, na frente do computador, celular ao lado sempre ligado em conexão com o mundo lá fora, portaria 24 horas que me dá uma pseudo segurança, cercas elétricas acionadas...e eis que dentro desta redoma impenetrável toca o celular e a voz da minha filha, que a esta hora deveria estar saindo do consultório para ir a um curso, desesperada, me diz aos prantos:
-Mãe estou sendo assaltada.Tem um revólver na minha cabeça.
Neste momento a voz de um homem intercepta a ligação e me diz de maneira simples como pedir uma coca zero no bar da esquina, que se eu não der dinheiro a ele, minha filha vai virar presunto e que eu decida já – ou dá ou desce- na linguagem popular.
Retornei naquele instante à época do vestibular na prova de gramática, dificílima por sinal, que dependendo da cruzinha errada no círculo eu estava dentro ou fora da faculdade.
Procurei me acalmar, me lembrar de todos os e-mails que recebi me alertando dos trotes que estavam passando para os menos avisados, mas a voz era dela, eu juro, o celular também não respondia (enquanto falava com o cidadão ligava do meu telefone residencial prá ela) e eu precisava me certificar que era um grande mentira aquele pesadelo todo.
E nestes minutos que pareceram horas , minha dúvida permanecia como no dia do meu vestibular de colocar a cruz no parênteses a, b ou c só que a diferença era que o meu erro seria a cruz definitiva na vida dela.
O celular não atendia e eu cada vez mais tendo a certeza que era tudo verdade, que não se tratava de um trote de dentro de uma penitenciaria no Amapá, Rio de Janeiro ou nos confins do inferno, onde o cabra da peste digitou por um azar o meu número. Eu juro que se tivesse dinheiro teria saído ensandecida para colocá-lo na conta laranja do tal bandido. Eu só queria ver o sorriso e a voz de minha filha de novo!Mas nem dinheiro eu tinha como 90% dos brasileiros.
Disse ao tal homem que não tinha a grana que ele me pedia ao que me respondeu que não se comovia com histórias tristes e que a vida da minha filha dependia do meu sim ou não. Para ele era uma a mais ou a menos, apenas!
Enquanto isto tentava insistentemente ligar para o celular dela tentando ganhar tempo com aquele maldito homem que veio me tirar a paz dentro de minha própria casa.
Foram os piores cinco minutos da minha vida. Era a escolha de Sofia.
Quando ele me disse que não tinha mais paciência e ia matá-la ela atende o celular com a maior tranquilidade e me diz:
- Estava em atendimento por isto não retornei aos teus telefonemas. O que houve?
Neste momento meu parto de cócoras foi um sucesso.A criança nasceu foi colocada no meu regaço e deu o grito de vida!
Respondi, neste momento, ao sujeito do outro lado da linha, assim como alguém que recebe uma “cola” certeira na última hora da prova:
-pode matá-la.
E desliguei.
Enquanto minha respiração voltava ao normal, meu coração retornava ao peito, aparecia na tela da televisão a cara dos candidatos ao próximo pleito com suas eternas promessas não cumpridas.
Naquela noite, pedi a ela algo inusitado:
-Vem dormir com a mãe como fazíamos quando eras pequena?
E dormimos abraçadas e eu agradecendo por tudo que não aconteceu!
Mas enquanto isto não ocorre muitos jovens continuarão a ser estuprados, outros assassinados, e os pais que os perdem se mantendo em pé com a ajuda de aparelhos fictícios que lhe forneçam ar para poder continuar respirando.
Hoje morrer é ridículo de tão fácil, quem não foi seqüestrado, assaltado, violentado está fora de moda.
Você não acabou ainda de ler o livro de Proust ou Paulo Coelho (quis aqui colocar os dois lados extremos da literatura), de abrir a última Marie Claire para ver as tendências, ou virar as páginas da Zero Hora para saber quem foi o sorteado num concurso ou para a morte, faça logo, pois amanhã poderá ser tarde demais, pois basta virar a esquina errada, entrar na rua à direita e não a da esquerda, abrir o portão de sua casa com mais tranqüilidade, atender a um telefonema que nem era endereçado a você e...
E é sobre este último que quero tratar, porque os outros já foram tão falados e debatidos e até agora ninguém achou a solução, ou nem se interessou por achá-la. Até que algo aconteça com um familiar seu.
Já não sou tão moça , mas quero enfatizar que criei meus filhos sob a égide deste pânico de sobrevivência, levando e buscando no colégio para não roubarem a camiseta, os tênis, os óculos evitando assim que fossem mortos por estas banalidades; já busquei das baladas para que um amigo não os trouxesse após ter ingerido álcool em demasia e sofrerem um acidente desnecessário, já cansei de conversar,quando adolescentes, sobre más companhias , sexo seguro, bebidas, drogas..
E hoje com eles adultos me enfio em casa antes que escureça, pois nos passam a idéia, lêdo engano, que os assassinos começam a agir quando as luzes da cidade acendem e precisamos ir para a toca, nos enfurnar por trás das grades , das cercas elétricas, enfim, nos resguardar do perigo.
Bem, são 19.30 horas,de uma quinta- feira qualquer, já me encontro dentro de meu apartamento, na frente do computador, celular ao lado sempre ligado em conexão com o mundo lá fora, portaria 24 horas que me dá uma pseudo segurança, cercas elétricas acionadas...e eis que dentro desta redoma impenetrável toca o celular e a voz da minha filha, que a esta hora deveria estar saindo do consultório para ir a um curso, desesperada, me diz aos prantos:
-Mãe estou sendo assaltada.Tem um revólver na minha cabeça.
Neste momento a voz de um homem intercepta a ligação e me diz de maneira simples como pedir uma coca zero no bar da esquina, que se eu não der dinheiro a ele, minha filha vai virar presunto e que eu decida já – ou dá ou desce- na linguagem popular.
Retornei naquele instante à época do vestibular na prova de gramática, dificílima por sinal, que dependendo da cruzinha errada no círculo eu estava dentro ou fora da faculdade.
Procurei me acalmar, me lembrar de todos os e-mails que recebi me alertando dos trotes que estavam passando para os menos avisados, mas a voz era dela, eu juro, o celular também não respondia (enquanto falava com o cidadão ligava do meu telefone residencial prá ela) e eu precisava me certificar que era um grande mentira aquele pesadelo todo.
E nestes minutos que pareceram horas , minha dúvida permanecia como no dia do meu vestibular de colocar a cruz no parênteses a, b ou c só que a diferença era que o meu erro seria a cruz definitiva na vida dela.
O celular não atendia e eu cada vez mais tendo a certeza que era tudo verdade, que não se tratava de um trote de dentro de uma penitenciaria no Amapá, Rio de Janeiro ou nos confins do inferno, onde o cabra da peste digitou por um azar o meu número. Eu juro que se tivesse dinheiro teria saído ensandecida para colocá-lo na conta laranja do tal bandido. Eu só queria ver o sorriso e a voz de minha filha de novo!Mas nem dinheiro eu tinha como 90% dos brasileiros.
Disse ao tal homem que não tinha a grana que ele me pedia ao que me respondeu que não se comovia com histórias tristes e que a vida da minha filha dependia do meu sim ou não. Para ele era uma a mais ou a menos, apenas!
Enquanto isto tentava insistentemente ligar para o celular dela tentando ganhar tempo com aquele maldito homem que veio me tirar a paz dentro de minha própria casa.
Foram os piores cinco minutos da minha vida. Era a escolha de Sofia.
Quando ele me disse que não tinha mais paciência e ia matá-la ela atende o celular com a maior tranquilidade e me diz:
- Estava em atendimento por isto não retornei aos teus telefonemas. O que houve?
Neste momento meu parto de cócoras foi um sucesso.A criança nasceu foi colocada no meu regaço e deu o grito de vida!
Respondi, neste momento, ao sujeito do outro lado da linha, assim como alguém que recebe uma “cola” certeira na última hora da prova:
-pode matá-la.
E desliguei.
Enquanto minha respiração voltava ao normal, meu coração retornava ao peito, aparecia na tela da televisão a cara dos candidatos ao próximo pleito com suas eternas promessas não cumpridas.
Naquela noite, pedi a ela algo inusitado:
-Vem dormir com a mãe como fazíamos quando eras pequena?
E dormimos abraçadas e eu agradecendo por tudo que não aconteceu!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
POR QUE SOU FÃ DO DAVID COIMBRA!
O David Coimbra é um jornalista gaúcho, que consegue dizer tudo que quer a respeito de qualquer assunto mas de maneira tão engraçada que nunca ofende nem a mãe do Juiz(ele é comentarista esportivo) e se vier a ofendê-la pode ter certeza que o juiz não vai se incomodar. Como? Porque ele tem o dom de escrever de tal forma que o pior desacato vira piada e como toda piada boa a gente ri no final.
Ontem aqui em P.Alegre foi um fuzuê em relação a colorados e gremistas e por isto me lembrei dele e fui buscar nos meus alfarábios uma crônica que ele escreveu para os psicólogos há muito tempo atrás(me interessei porque tenho uma filha no ramo) e guardei pensando em enviar a ela.
Olha só como tenho razão sobre elogiar o cara!
EU? VIVÍPARO?
Uma vez me chamaram de vivíparo. Fiquei chateado. Não que tenha algo contra os vivíparos, não tenho, até os acho simpáticos. Mas que mania é essa de dizer quem sou ou o que devo fazer?
Tem sido assim a vida toda. As pessoas gostam de classificar as outras pessoas. Sou um grande mamífero; certo. Bípede; tudo bem. Jornalista, filho da dona Diva, pai do Bernardo; até aí estamos no terreno das exatas. Mas e quando vem um gaiato e pergunta se sou um machista ou um tarado ou um comunista ou um neoliberal ou qualquer outra coisa? Tudo muito subjetivo. Aí tenho que ficar me explicando. O que é inútil. Aquela pessoa já me rotulou, catalogou e arquivou na pasta, digamos, dos machistas. E de vez em quando ela vem e reclama:
- Você não pode ser machista, você é um formador de opinião.
Eu? Formador de opinião? Por Deus: nunca formei uma única opinião até hoje. Não que não tenha tentado. Minha mãe, por exemplo, às vezes tento formar a opinião dela. Não consigo. Ela não concorda comigo. Meus amigos, volta e meia esforço-me para dar uma formada nas opiniões deles. Em vão. Eles não mudam um milímetro de ideia. E os leitores. Jamais um leitor admitiu que formei a opinião dele. Não. O leitor vem e diz:
- Que legal aquilo que você escreveu. É exatamente o que eu penso!
Ou seja: ele concordou com a minha opinião porque é a opinião DELE. Ele só concorda com ele mesmo. Logo, não preciso dar explicação sobre o que sou ou deixo de ser. Não faz diferença.
Mesmo assim, admito que às vezes é interessante ouvir a opinião dos outros sobre quem sou. Sobretudo das autoridades.
Em quase todas as empresas nas quais trabalhei, tive de participar de cursos, e aí já estamos na categoria das coisas que as pessoas querem que eu faça. Cursos. Pois bem. Esses cursos, eles são muito interessantes. Uma vez me colocaram num curso de Excel. É um programa de computador aí. Não lembro exatamente como funciona, mas parece ser bastante útil para administradores e tal.
Também assisti a inúmeros cursos de gestão, e foi neles que ouvi opiniões de autoridades sobre a minha pessoa. Por autoridades refiro-me a psicólogos. É espantosa a capacidade dos psicólogos. Havia uma época em que os psicólogos lhe davam uma folha de papel e um lápis e mandavam que você desenhasse uma árvore. O truque era desenhar o chão sob a árvore. Se você não desenhasse o chão, seria reprovado. Todo mundo sabia disso do chão, você tinha de passar por um teste psicológico e as pessoas advertiam:
- Não esquece de desenhar o chão! Tem que desenhar o chão!
Desenhei muito chão em teste psicológico. Depois, imagino que os psicólogos tenham percebido que a história do chão estava manjada e mudaram tudo. Eles agora pegam você e alguns dos seus colegas e colocam todos em uma sala. Depois, dividem a turma em grupos, como no colégio. Dão tarefas para cada grupo: montar uma casa de Lego, formar um tabuleiro de xadrez com algumas peças de madeira, caminhar de olhos fechados sobre uma linha pintada no chão. Você passa 40 minutos fazendo essas coisas e depois disso os psicólogos dizem quem é você, se pode ou não ser chefe, se deve ser demitido ou promovido. Tudo com base na ciência. Impressionante.
Conheço algumas pessoas que foram largadas no meio do mato pelos professores de cursos de gestão, outros que foram obrigados a jogar rúgbi. Terminados os cursos, eles voltaram para suas empresas transformados em ótimos chefes. Ciência pura. Impressionante.
Mesmo assim, estou cansado de todas as pessoas que me dizem o que fazer ou o que sou. Não me importo nem se elas tiverem razão. Um vivíparo? Eu? Não venham me rotular. Não venham me dizer o que fazer. Falem por vocês mesmos.
Ontem aqui em P.Alegre foi um fuzuê em relação a colorados e gremistas e por isto me lembrei dele e fui buscar nos meus alfarábios uma crônica que ele escreveu para os psicólogos há muito tempo atrás(me interessei porque tenho uma filha no ramo) e guardei pensando em enviar a ela.
Olha só como tenho razão sobre elogiar o cara!
EU? VIVÍPARO?
Uma vez me chamaram de vivíparo. Fiquei chateado. Não que tenha algo contra os vivíparos, não tenho, até os acho simpáticos. Mas que mania é essa de dizer quem sou ou o que devo fazer?
Tem sido assim a vida toda. As pessoas gostam de classificar as outras pessoas. Sou um grande mamífero; certo. Bípede; tudo bem. Jornalista, filho da dona Diva, pai do Bernardo; até aí estamos no terreno das exatas. Mas e quando vem um gaiato e pergunta se sou um machista ou um tarado ou um comunista ou um neoliberal ou qualquer outra coisa? Tudo muito subjetivo. Aí tenho que ficar me explicando. O que é inútil. Aquela pessoa já me rotulou, catalogou e arquivou na pasta, digamos, dos machistas. E de vez em quando ela vem e reclama:
- Você não pode ser machista, você é um formador de opinião.
Eu? Formador de opinião? Por Deus: nunca formei uma única opinião até hoje. Não que não tenha tentado. Minha mãe, por exemplo, às vezes tento formar a opinião dela. Não consigo. Ela não concorda comigo. Meus amigos, volta e meia esforço-me para dar uma formada nas opiniões deles. Em vão. Eles não mudam um milímetro de ideia. E os leitores. Jamais um leitor admitiu que formei a opinião dele. Não. O leitor vem e diz:
- Que legal aquilo que você escreveu. É exatamente o que eu penso!
Ou seja: ele concordou com a minha opinião porque é a opinião DELE. Ele só concorda com ele mesmo. Logo, não preciso dar explicação sobre o que sou ou deixo de ser. Não faz diferença.
Mesmo assim, admito que às vezes é interessante ouvir a opinião dos outros sobre quem sou. Sobretudo das autoridades.
Em quase todas as empresas nas quais trabalhei, tive de participar de cursos, e aí já estamos na categoria das coisas que as pessoas querem que eu faça. Cursos. Pois bem. Esses cursos, eles são muito interessantes. Uma vez me colocaram num curso de Excel. É um programa de computador aí. Não lembro exatamente como funciona, mas parece ser bastante útil para administradores e tal.
Também assisti a inúmeros cursos de gestão, e foi neles que ouvi opiniões de autoridades sobre a minha pessoa. Por autoridades refiro-me a psicólogos. É espantosa a capacidade dos psicólogos. Havia uma época em que os psicólogos lhe davam uma folha de papel e um lápis e mandavam que você desenhasse uma árvore. O truque era desenhar o chão sob a árvore. Se você não desenhasse o chão, seria reprovado. Todo mundo sabia disso do chão, você tinha de passar por um teste psicológico e as pessoas advertiam:
- Não esquece de desenhar o chão! Tem que desenhar o chão!
Desenhei muito chão em teste psicológico. Depois, imagino que os psicólogos tenham percebido que a história do chão estava manjada e mudaram tudo. Eles agora pegam você e alguns dos seus colegas e colocam todos em uma sala. Depois, dividem a turma em grupos, como no colégio. Dão tarefas para cada grupo: montar uma casa de Lego, formar um tabuleiro de xadrez com algumas peças de madeira, caminhar de olhos fechados sobre uma linha pintada no chão. Você passa 40 minutos fazendo essas coisas e depois disso os psicólogos dizem quem é você, se pode ou não ser chefe, se deve ser demitido ou promovido. Tudo com base na ciência. Impressionante.
Conheço algumas pessoas que foram largadas no meio do mato pelos professores de cursos de gestão, outros que foram obrigados a jogar rúgbi. Terminados os cursos, eles voltaram para suas empresas transformados em ótimos chefes. Ciência pura. Impressionante.
Mesmo assim, estou cansado de todas as pessoas que me dizem o que fazer ou o que sou. Não me importo nem se elas tiverem razão. Um vivíparo? Eu? Não venham me rotular. Não venham me dizer o que fazer. Falem por vocês mesmos.
Mudando conceitos...
Com esta interpretação linda ficará mais tênue o texto para pensar e repensar nossos conceitos:
Foi muito sem querer, na festinha de aniversário de sua filha. Observando os presentes, minha amiga se deu conta de como uma mulher é feita. No aniversário de seu menino, outros presentes: jogos lógicos, carrinhos, livros. Sua filha recebeu bichinhos, bonecas, vestidos, estojos de maquiagem. Mulher é uma instituição histórica. Tal como a conhecemos, é muito mais costela da cultura que da natureza.
Ao menino jogos, carrinhos, livros. Quem fez de tais coisas objetos de varão? A cultura. Um quarto azul para ele, um rosa para ela. Jogos para o cérebro. Carrinhos de tecnologia. Livros para os saberes. Aliás, salvo os culinários, é mister manter as mulheres longe dos segredos. Na maçonaria, por exemplo. Ou na Igreja Católica, onde podem servir, rezar, limpar, bordar a estola e quarar o manutérgio. Tudo, menos participar da hierarquia. Para justificar essa declarada preferência de Deus pelo sexo masculino, a teologia produziu os mais estrambóticos silogismos.
Minha amiga observa os presentes de sua filha. Ela precisa ser meiga, doce, bonita. Essa é a idéia de menina que os convidados à festa reafirmam. A filha de minha amiga, mesmo sem saber de feminino e masculino, vai aprendendo a conformar-se – isto é adquirir a forma da fôrma – ao mundo pronto. Bonecas. Claro, maternidade. E, se por um descuido da natureza, ela não puder fazer-se mãe, terá de administrar a frustração imposta por si mesma, e pelo meio. Milhares de anos depois de Sara, não ter filhos ainda é um castigo divino. Um castigo não expresso, mas dolorosamente tácito e ácido, implícito e lícito. Ai das estéreis!
Mulheres bem sucedidas tornam-se devoradoras de homens ou fagocitam o masculino. Para vencer os machos, as armas de varões. Se muito femininas, perdem credibilidade e o cargo. Os homens usam ternos para serem respeitados, as mulheres terninhos. Prostituta ou santa. Sob o homem ou acima dele. Lado a lado não?
O mundo público é assaz masculino. É o mundo da razão, da lei, da guerra, da objetividade. Às mulheres o confinamento dos espaços privados. É preciso controle, e não apenas da fêmea como indivíduo da raça. Características femininas como a solidariedade e a amorosidade foram banidas da hierarquia e da lógica públicas. Destruição do meio ambiente, guerras, racionalidade muita, ternura pouca. É o império patriarcal.
Uma mulher não se faz sob jugo e desterro. Uma mulher se faz deixando-a bordar todos os tecidos sociais. Uma mulher se faz permitindo-a cozinhar tenra e ternamente política e ciência. Jamais haverá rosto humano sem a face feminina.
Mulheres, que dão à luz, amamentam e, ainda, educam meninos e meninas, mais do que ninguém, sabem: pequenos gestos podem estar grávidos de grandes mudanças. E, se o sonho de um mundo diferente para seus filhos tornar-se causa de insônia, podem começar a pensá-lo na próxima festinha de aniversário.(P.M)
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